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Estratégia

Go/No-Go em licitações: 7 critérios para decidir se vale disputar uma obra pública

Disputar tudo custa caro e ganhar a obra errada custa mais. Sete critérios objetivos para decidir, com dados, quais licitações merecem proposta.

Equipe Elicitare · · 4 min de leitura

Toda proposta consome horas de engenharia: leitura do edital, levantamento de quantitativos, cotações, composição de preços, montagem da habilitação. Quando a empresa disputa tudo o que aparece, esse esforço se dilui. E existe um risco pior do que perder: ganhar uma obra que não paga a execução.

A análise Go/No-Go é a decisão, tomada cedo e com critério, de disputar ou não uma licitação. Ela não precisa ser complexa. Precisa ser feita sempre, com os mesmos critérios, e registrada.

1. Aderência técnica e acervo

A primeira pergunta é se a empresa tem os atestados que o edital pede. Na Lei 14.133/2021, a exigência de atestados fica restrita às parcelas de maior relevância ou valor significativo, definidas como as de valor individual igual ou superior a 4% do valor estimado, e os quantitativos mínimos podem chegar a até 50% dessas parcelas (art. 67, §§ 1º e 2º).

  • Você tem atestado para cada parcela de maior relevância?
  • O quantitativo do seu atestado cobre o mínimo pedido?
  • O responsável técnico com a CAT necessária está no quadro da empresa?

Sem acervo, a resposta é No-Go, ou a busca por consórcio, quando o edital permite.

2. Capacidade econômico-financeira

Índices contábeis mínimos, capital social ou patrimônio líquido e garantias são eliminatórios. Confira os índices exigidos com o último balanço antes de qualquer outro trabalho. Se a empresa não atinge o índice, nenhum preço resolve.

3. Margem real

Preço vencedor não é preço viável. Antes de decidir, estime:

  • custo direto com base nas composições e cotações atuais;
  • BDI compatível com o porte e o risco da obra;
  • impacto tributário do regime da empresa no faturamento previsto;
  • desconto provável, com base no histórico de disputas semelhantes.

Se a margem que sobra depois do desconto provável não remunera o risco, a decisão é No-Go, mesmo que a obra seja atraente.

4. Capacidade de execução no prazo

Cruze o cronograma da obra com a carteira atual. Equipe, equipamentos e caixa precisam estar disponíveis nos meses de pico. Obra ganha e executada com atraso gera multa, desgaste com o órgão e prejuízo no acervo futuro.

5. Fluxo de caixa

Obra pública costuma exigir capital de giro: mobilização, compra de materiais e folha antes da primeira medição. Avalie o ciclo de medição e pagamento previsto no edital e o histórico de pontualidade do órgão. Um contrato lucrativo no papel pode estrangular o caixa da empresa.

6. Risco do objeto e do contrato

Leia com atenção as cláusulas que transferem risco para a contratada:

  • projeto básico incompleto ou desatualizado;
  • matriz de riscos desfavorável;
  • condições de reajuste e repactuação;
  • multas e garantias acima do usual;
  • interferências, licenças ambientais e desapropriações pendentes.

Cada risco não precificado é margem que some durante a execução.

7. Concorrência e histórico

Quem costuma disputar esse tipo de obra nesse órgão? Qual foi o desconto médio nas últimas licitações semelhantes? Esses dados mostram se a disputa é realista para a sua estrutura de custos. Com o tempo, o próprio histórico de Go/No-Go da empresa vira a melhor base de comparação.

Como transformar os critérios em decisão

Uma forma simples é dar peso a cada critério e pontuar de 0 a 3. Alguns critérios são eliminatórios: sem acervo técnico ou sem índice contábil, não há pontuação que compense.

CritérioTipoPergunta-chave
Aderência técnicaEliminatórioTemos atestados e CAT para as parcelas de maior relevância?
Econômico-financeiraEliminatórioAtingimos os índices e valores mínimos exigidos?
Margem realPeso altoSobra margem depois do desconto provável?
Capacidade de execuçãoPeso altoEquipe e equipamentos estão livres no período?
Fluxo de caixaPeso médioAguentamos o ciclo até as primeiras medições?
Risco contratualPeso médioOs riscos transferidos estão precificados?
ConcorrênciaPeso médioO desconto histórico cabe na nossa estrutura de custos?

Quando decidir

O melhor momento para o Go/No-Go é logo depois da primeira leitura do edital, antes de começar o orçamento detalhado. Uma segunda checagem, com a margem já calculada, confirma a decisão antes da sessão.

Fontes